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2 Nabos na Púcara

Dois autênticos nabos que resolveram criar isto para vir falar de coisas, cenas e algo mais.

09
Set16

Corrida - Tipos de praticantes

A febre da corrida que me apanhou há 4 anos, para além de me cansar muito, permitiu-me conhecer muitas pessoas novas e fazer grandes amizades.

Após um estudo exaustivo elaborado por mim em parceria com a UTIB (Universidade para a Terceira Idade do Burundi), permitiu-me concluir que toda esta gente que corre, por mais diferentes que possam parecer, sejam eles homens, mulheres, doutores, engenheiros, trolhas, polícias, políticos, ladrões (passe o pleonasmo) ou strippers, todos têm uma coisa em comum, é tudo gente doida.

A corrida cansa (muito), faz o pessoal transpirar e emanar odores piores que o 711 da Carris no Verão ao fim da tarde quando vem cheio de Paquistaneses das obras, e mesmo assim no final de uma corrida é ver a malta a abraçar-se como se o mundo fosse acabar amanhã. Chego mesmo a pensar que se houvesse um abraço coletivo, podia o mundo não acabar, mas de certeza que o buraco na camada de Ozono iria aumentar significativamente.

Dentro dessa loucura generalizada conseguimos dividir os tipos de corredores ou praticantes de corrida se assim preferirem (não chamo atletas, porque iria estar a ofender a malta que pratica atletismo), em várias categorias, que irei abordar de seguida.

Esta classificação baseia-se nas suas motivações, experiência, hábitos de treino, hábitos alimentares, preferências sexuais, funcionalidade intestinal e todas as outras coisas que me apetecer e lembrar.

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O Veterano: Já corre há mais de 70 anos. Muito fácil de identificar na zona de partida, pelo intenso cheiro a bálsamo e pomada tigre, pela tshirt de alças da Meia Maratona a Coina de 1968, pelo relógio Casio e por utilizar constantemente frases como "No meu tempo é que se corria a sério." e "Quando comecei ainda o Lopes e o Mamede andavam de fraldas". Utiliza sempre a mesma marca e modelo de calçado e com o encerramento do mercado na Praça de Espanha, só consegue arranjar numa loja de desporto no CCB (Centro Comercial da Buraca).

 

O Novato: Está no lado oposto do Veterano. Começou a correr o mês passado e já está a pensar em inscrever-se na sua primeira maratona. Extremamente motivado por ver que após 3 treinos a sua evolução tem sido fantástica. O novato na primeira semana vai ao El Corte Ingles e equipa-se da cabeça aos pés com o que for mais caro, mesmo tratando-se de material inútil ou não adequado para ele. Em 90% dos casos passado duas semanas coloca tudo no OLX porque já lhe passou a febre e a nova moda são os saltos de costas para um campo de silvas ou o lançamento de anões chineses para o rio com balanço desde o Martim Moniz e isso requer outro tipo de equipamento. Um dos fatores do novato deixar a corrida é também o treinar sem método (em termos técnicos o “correr à bruta”), o que leva ao rápido aparecimento de lesões.

 

O Liberta-stress: Encontrou na corrida a sua via de escape para aliviar o stress que o trabalho e o seu ambiente familiar lhe causam. Todas as desculpas são boas para ir correr e libertar-se da ansiedade e preocupações, por isso, costuma estar a seguir 3 planos de treino em simultâneo para a mesma prova. O que leva a que ande sempre fisicamente exausto e os resultados depois não sejam os melhores devido ao excesso de treino, mas por outro lado, ninguém o pode acusar de ser stressado, porque anda sempre tão cansado que qualquer movimento pareça ser feito com muita calma e ponderação.

 

O Sensível: Totalmente concentrado enquanto corre, está atento a todos os sinais e reações do seu organismo. O sensível percebe que um pelo encravado está para nascer, muito antes de ele começar a encaracolar na camada subcutânea da pele. A cada passada que dá todo o seu corpo tem de estar em perfeita harmonia e equilíbrio, como se tivesse acabado de ingerir 3 litros de Pleno Tisanas e um sixpack de Danone Activia.

Raramente de lesiona, porque como conhece perfeitamente o seu corpo, ao mínimo sinal de alerta, interrompe a corrida. Como a maioria dos corredores tem esse sinal de alerta assim que inicia o treino, o Sensível, raramente corre, muito porque todos sabemos que a corrida não dá saúde a ninguém.

 

O Obsessivo: Este é o indivíduo que pode até nunca ter corrido, mas sabe tudo sobre corrida. “Ah e tal o Prof. José Hermano Saraiva também não esteve em Aljubarrota, mas sabia pormenores da Padeira melhor que ninguém.” E perante estes válidos argumentos temos que nos calar e respeitar.

O Obsessivo é assinante de todas as revistas de running nacionais e internacionais, segue 34 blogs, consulta fóruns e até consulta a Maya e o Professor Karamba, para verem nas cartas, nos búzios e na obervação das fezes dos chiuauas se a prova que vai fazer é a mais adequada para si. Chegou a ter um personal trainner com 20 anos de experiência em atletismo profissional, mas segundo palavras suas “Era bom moço. Sabia muito de prática, mas nas coisas teóricas eu dava-lhe um bailinho.”

 

O Super-gadget: Amante da tecnologia, adquire todo o tipo de gadgets que são lançados no mercado. Corre sempre com 2 relógios em simultâneo para comparar se as medições são diferentes e é impensável terminar um treino ou prova e passado 3 minutos, o exercício ainda não estar publicado em 8 sites diferentes, assim como a partilha no facebook, instagram, twitter, snapchat e tinder.

Conhece todas as aplicações de corrida, fitness, aeróbica, ginástica rítmica e levantamento de garrafão que são lançadas na Play Store e na Apple Store.
O seu lema em relação aos treinos e às corridas é "Se não está no Strava, é porque não existiu!"

 

O Saudável: A cada 3 passos controla as pulsações e os sinais vitais. Descarrega tudo o que é aplicações para registar a tensão arterial, peso, diabetes, ácido úrico e até urina (deitando 3 gotas para o ecran do smartphone). Quando vai correr pensa cuidadosamente no que vai comer antes, durante e após a corrida, pesando todos os alimentos para não falhar no número de calorias ingeridas. Outra das preocupações é a hidratação, a recuperação de eletrólitos e quais os melhores suplementos para desportistas e similares. Só come carnes brancas, por isso, terá de arranjar um(a) companheiro(a) albino(a).

 

O fashion-victim: Muitos dos corredores vão treinar com os primeiros calções e tshirt que encontram desde que esteja lavado, mas este corredor não. Ele não sai à rua de qualquer maneira. O calção tem de condizer com a tshirt, com as meias, as sapatilhas e o boné e tudo da última coleção acaba de sair no mercado.
O fashion-victim segue tudo o que são as últimas modas, seja em acessórios, como também em meias de compressão, manguitos, roupa interior, cremes depilatórios, aftershave e vernizes. Em questões de preferência de cores, prefere coisas fluorescentes e vistosas de forma a não passar despercebido no meio dos atletas do pelotão..

 

O turista: Aliado à sua paixão pela corrida, está a paixão por viajar. Os destinos de férias são sempre pensados nas provas que ambiciona fazer e mesmo quando as tem de passar em Fornos de Algodres por não ter possibilidade de ir para o estrangeiro, participa no MIFA (Meeting Internacional de Fornos de Algodres) que consiste em 3 provas (15km ao pé coxinho com uma caneca de cerveja na cabeça, 5kms estafetas em carrinho-de-mão e 12km de cócoras em torno da igreja). Procura todas as desculpas para ir correr o mais longe possivel da sua área de residência e tenta sempre que possível incluir a família nesses eventos.

 

O que corre por puro prazer: Este tipo de corredor não tem muito para contar. Basta ter "à mão" uma tshirt, uns calções e o calçado apropriado e aí vai ele lançando-se por esse asfalto fora ou por um qualquer trilho que lhe apareça pela frente, apenas procurando receber as sensações de liberdade e prazer que a corrida lhe proporciona, sem ligar a ritmos, distâncias ou velocidades e participa em provas, não pela componente da competição mas pelos momentos de convívio aí vividos.

 

O competitivo: Ao contrário do anterior, este tipo quando corre sozinho, corre sempre com o sol de frente, para que a própria sombra fique atás dele. É o tipo que parte sempre na primeira linha em todas as provas e arranca num sprint doido, para que ninguém o ultrapasse nos primeiros 5 metros. Devido a esse esforço, ao fim de 1km começa a caminhar e simula uma lesão para justificar o seu fracasso.

Inscreve-se em todas as provas que há, mesmo que haja duas ou três em simultâneo e vai de uma para a outra só para receber a medalha e os panfletos que entregam no final para que possa planear a sua agenda desportiva nos próximos tempos.

O fairplay é também uma palavra que não entra no dicionário do Competitivo, fazendo de tudo que esteja ao seu alcance para subir uns lugares na classificaçãoDesde subir passeios, meter-se às cavalitas de corredores mais rápidos, tudo serve. Houve uma prova em que vi até um destes individuos a fazer uma rasteira, a 100m da meta, a um velhote de 93 anos na UMA (Ultra Maratona de Andarilhos).

 

Tu que corres, já correste ou pensas um dia vir a correr (não conta aqueles sprints para o autocarro nem quando vaga uma bóia na piscina de ondas do Aquashow), diz-nos se te identificas com algum destes tipos ou se és uma mistura de vários.

#sejamfelizes

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