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2 Nabos na Púcara

Dois autênticos nabos que resolveram criar isto para vir falar de coisas, cenas e algo mais.

06
Set16

Agosto casamenteiro!

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Agosto é por natureza um mês dedicado às festarolas da aldeia, a carros “xunados” e claro, aos casamentos.

Eu sou viciado em casamentos porque sou uma pessoa muito sensível e às vezes chego a chorar mais que a noiva, em especial no momento do sim, aquela fração maravilhosa de tempo acompanhada pelo toque sublime de violinos em som de fundo.

Mas o que realmente interessa aqui, é o que se passa entre a abertura do baile e o momento em que o padrinho vomita das entranhas profundas, o bacalhau com broa e a vitela com molho de maçã lá mais para o fim da noite.

 

Estão prontos?

Vamos lá então fazer um “fast-forward” desde o fim da hora do jantar até ao fim da festa!

 

Pelas 22:00, abre-se o baile com o apita o comboio e lá vai tudo fazer um grande frete a seguir a noiva que por agora ainda é a maquinista do grupo.

As velhas desdentadas, saltam das cadeiras como loucas e “atracam-se” ao primeiro que lhe aparece à frente e arfam de tal maneira, que o bypass coronário começa logo a apitar com falta de bateria.

Entretanto, “abre-se” o bar e tudo o que é malta bêbada corre como loucos para iniciar o processo de destilação.

O importante é “imborcar” o mais rápido possível para ficar alucinado rapidamente, não vá acabar o mundo, entretanto.

Pelas 00:00 é a hora de abrir o famoso bolo dos noivos.

Vem agora aquela parte em que elas já passaram do modo do sapato de bico com 50 cm de alto para a sandália a mostrar o belo do joanete, enquanto eles passam do modo de sofrimento da gravata, para o modo “maravilhoso mundo da selva”, com as camisas abertas até ao terceiro botão a mostrar a bela penugem peitoral ao estilo pavão africano.

Chega então a altura em que a maioria dos noivos optou por desviar o orçamento das chamuças para comprar fogo de artificio, daquele que parece vindo de um torno mecânico de uma fábrica de metalúrgica, mas que faz as delicias dos únicos chatos dos casamentos... os fotógrafos.

Na frente das luzes, estão os noivos alinhados simetricamente com o bolo, uma faca gigante e uma garrafa de espumante da Anadia prontos para um dos grandes momentos da noite.

Enquanto dão de comer um ao outro pela última vez no resto das suas vidas, a mãe da noiva volta a chorar como uma Madalena arrependida, só de imaginar que dentro de poucas horas, o pai da noiva que está bêbado que nem um "cacho", vai ele também com jeito, tentar partir o bolo.

Festa é Festa e neste dia tudo é permitido!

À 01:00h é altura do lançamento do ramo da Noiva.

Nesse momento, sobem à frente da festa tudo o que é desespero com duas pernas, de um modo geral do sexo feminino.

Minhas senhoras e meus senhores, temos aqui tática bem estudada, já para não dizer combinada previamente com a noiva!

Posicionadas tecnicamente ao redor da noiva, lá no fundo todas querem apanhar o ramo, mas tendem a disfarçar esse sentimento com uma certa dose de indiferença.

No momento exato em que a noiva lança de costas o ramo, se fizermos uma pequena repetição em movimento lento, repararmos que existem mulheres que são autênticos “Ruis” Patrícios e que se atiram sem medo ao Santo Graal, o arranjo floral.

A suposta felizarda agarra-se à noiva de felicidade, enquanto o namorado se agarra ao barman a chorar de tão grande que é o desespero.

Pelas 01:30h volta a “comezana” com a abertura do tradicional buffet de frios.

Neste momento, o salão de festas é a nova Beirute.

O ambiente é de guerra por onde se luta sem medos por 100g de camarão, por um naco de leitão, queijos e presuntos, em ambiente de pura hostilidade humana.

Vale de tudo...quem conseguir meter mais comida dentro de um pires e chegar à mesa e sentar-se em primeiro, é o rei da festa e o master do buffet.

Desaparece tudo num ápice e fica a imagem da desolação total, muito parecida a uma cidade em escombros, depois de um bombardeamento com Napalm.

Pelas 01:45h é o começo do fim da festa e nessa altura já anda tudo em modo “Vira do Minho”.

A pista de dança já parece ter buracos, pois uma grande maioria já dança aos tombos, ao estilo dos cabeçudos do carnaval de Torres Vedras.

O padrinho e o pai da noiva, já vomitaram duas vezes, em homenagem ao tempo dos copos e da caça noturna em bares manhosos, enquanto outra pequena minoria por impulso começa a falar fluentemente o outro conhecido dialeto dos bêbados... o Norueguês de Cinfães!

É uma tal cacofonia na pista de dança, que só para pedir lume é preciso tirar um mestrado em linguagem gestual.

O dj já não sabe o que fazer para espantar a malta dali para fora, e então vai buscar tudo o que é musica má.

Não interessa, e em rigor da verdade, já ninguém está mesmo a ouvir nada!

Às 02:30h, os geriátricos já vão a caminho da cama, enquanto os resistentes dançam como loucos ao som dos ABBA.

O melhor amigo do padrinho deixa de ser o noivo e passa a ser o homem do bar e começam a arranjar-se os “caldinhos” entre a malta que está solteira e não só.

 

- Onde está a Joana? – pergunta a noiva

- Está com o teu irmão no teu carro a ver estrelas! – grita o namorado da Joana

 

Subitamente o noivo, acha que está no liceu e pede ao dj para “meter” Rage Against the Machine!

O Armagedon chega então à pista de dança e a coisa descontrola-se de tal maneira que só se vêm pernas e braços pelo ar.

A noiva grita...”Moche!!!” e o dj a temer pela vida, acaba logo ali a festa ao som das quatro estações de Vivaldi.

Pelas 04:00h, meia-dúzia andam à procura do carro no estacionamento e outra meia dúzia anda à procura da Joana e do irmão da noiva, que por engano acabaram no casamento ao lado e fizeram amigos com um casal que são adeptos entusiastas do swing.

E assim em grande alvoroço acaba a grande festarola.

Felizmente que ao outro dia, ninguém se lembra de nada.

Se virem a Joana, entrem em contacto.

O namorado anda apoquentado!

Abraços

NaboDias.jpeg

 

 

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