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2 Nabos na Púcara

Dois autênticos nabos que resolveram criar isto para vir falar de coisas, cenas e algo mais.

11
Jan17

Música. As pessoas, os locais e as memórias

Todos nós temos "aquela" música que todas as vezes que a ouvimos, nos traz algum tipo de recordação. Uma pessoa em particular, um grupo, um local ou uma experiência vivida. Para algumas temos justificação, mas para outras é apenas "porque sim".

Essas músicas podem até nem estar no nosso top de preferências, mas quando, por algum motivo, as escutamos surge um "click" na nossa memória que nos transporta para o livro de recordações.

Há já algum tempo que tenho vindo a pensar nisto e hoje resolvi partilhar aqui, as "minhas músicas". Não estarão aqui todas, mas apenas aquelas que agora me lembro, porque algumas não estão no nosso top de preferências e apenas quando as escutamos, surge o "click" que nos transporta para o livro de recordações.

Gostava que fizessem o mesmo e partilhassem nos comentários, quais as vossas "músicas de recordações" (baptizei-as agora assim).

Os loucos estão certos (Diabo na Cruz) - Os fantásticos fins de semana, de Inverno ou Verão, que passamos em São Domingos com "os suspeitos do costume".

 

1979 (Smashing Pumpkins) - Todo o álbum "Mellon Collie and The Infinite Sadness" (especialmente "Tonight, Tonight" e "1979") leva-me para uma viagem com 6 amigos e 2 professoras, no 12º ano, pela Serra de Montemuro durante 5 dias numa Nissan Vanette vermelha em 1996 (especialmente "Tonight, Tonight" e "1979").

 

Alive (Pearl Jam) - As tardes sem aulas passadas em casa do Diogo a jogar MUFC (um muito velhinho antecessor do Football Manager) ou F1GP e a ouvir os álbuns "Ten" e "Vs" dos Pearl Jam e Rage Against The Machine com o seu "Killing in the Name" em K7 (ou cassete).

 

Restolho (Mafalda Veiga) - Rita. Porque sim.

 

Vida de Estrada (Diabo na Cruz) - Ildebrando e Xico da Bóina. Porque sim.

 

Entre dos tierras (Heroes del Silencio) - Nas quentes noites de Verão no BubiBar em Tavira, na adolescência, onde bebi as primeiras imperiais, a 200 escudos cada uma.

 
Courage (Manowar)
- Os intervalos das aulas na Secundária da Pontinha.

 

#sejamfelizes

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23
Set16

Terminou o Verão

Para quem ainda não sabe o Verão terminou ontem, apesar de ainda não se fazer notar muito nas temperaturas, sabemos que mais cedo ou mais tarde elas vão começar a descer, as folhas das árvores começarão a cair e os dias ficarão "mais pequenos", é inevitável.

Apesar da maioria das pessoas sentir alguma tristeza por terminar o Verão, há muitos que sentem um grande alívio e satisfação. Vou dar alguns exemplos.

 

- Ao fim de 3 meses de puro inferno, a malta de Monte Gordo volta a conseguir arranjar lugar para estacionar o carro, e os de Armação de Pêra já conseguem esticar a toalha na praia, sem levar com os pés do vizinho do chapéu ao lado no focinho. Por falar em chapéu, ainda o mês passado li uma notícia de um senhor que deu entrada no hospital de Portimão com um pincho espetado no rabo. Ele explicou ao médico que estava na Praia da Rocha, deitado na toalha e que não se lembra de mais nada, mas o médico ficou na dúvida se aquilo não teria sido uma brincadeira estranha do próprio sujeito.

 

 - Para muitas das jovens/senhoras, acaba o sofrimento de terem que ter a depilação sempre em dia, porque já não irão tirar diariamente a selfie das salsichas. Em termos de hashtags vamos ver também grandes alterações no facebook e instagram e vamos ver agora coisas como #nãoresistoachocolatesebolos, #saladasagorasóemMaio, #paraoanoéqueé e #gorduraéformosurajádiziaaminhaavó. A partir de Março temos #operaçãobikini2017 (para o ano volto a alterar a data) e #atéaoverãoficoboazonamasagorasómepreocupocomissoemmaio

 

- Quem também gosta muito do facto do Verão ter terminado são os vegetarianos. O pessoal que andou 3 ou 4 meses a beber sumos detox,

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volta-se novamente para as coisas intox. Com o frio, chegam os batidos e mão de vaca com grão, os smothies de dobrada com feijão branco e os granizados de cozido à portuguesa. Por isso os vegetarianos podem voltar a passear alegremente pela secção de legumes e frutas sem estarem constantemente a esbarrar nos carrinhos e cestos do pessoal que acha que no resto do ano, os únicos legumes que devem comer são os da sopa uma vez por mês e a canja também conta porque leva uma folha de hortelã.

 

 

- Por fim temos aquele pessoal que já pode usar as roupas que comprou nas promoções da primark do ano passado, caso ainda não tenham sido comidas pela traça.

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Estes também são fáceis de identificar, principalmente para mim que ando de metro, porque são os que já andam com casacos e camisolas de lã, e se alguém lhes diz "Olha que hoje para Lisboa davam 27 ºC." a resposta é "Quero lá saber. Já estamos no Outono e eu visto-me conforme a estação". Estes mereciam que lhes dissessem "Se te vestes conforme a estação, devias ter escolhido a estação do Rato*, porque pelo cheiro a suor que emanas és um animal nojento."  *reparem na sublime analogia feita pelo autor entre estação do ano e estação do metro.

 

 

Para todos aqueles que (como eu) não vêm nenhuma vantagem em que o bom tempo, o calor, as praias, as bebidas geladas, os decotes e corpos seminus das raparigas jeitosas terminem, só vos tenho a dizer que a vida é mesmo assim, injusta. Resta-nos a hipótese de poder emigrar por 6 meses para as Caraíbas ou algo assim parecido e bastante chato em termos de clima.

 

Até para a semana e #sejamfelizes

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20
Set16

Back to School - Os dias duros de um pai!

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O regresso às aulas é aquele momento do ano, em que alguns pais se vêm forçados a fazer mudanças radicais nos seus hábitos diários e que raramente são valorizados.

Eles, os putos é que são os coitadinhos e os pais, só lhes resta aguentar passar este momento turbulento nem que para isso recorram a psicotrópicos só para aguentar a “pastilha”.

Como pai venho manifestar o meu desagrado por este momento difícil que estou a passar e afirmar claramente que sou eu, também, sem dó nem piedade vítima de bullying do sistema escolar.

 

Afinal o que raio é papel musgami?

 

Sim, vamos começar já a dissertar sobre o material escolar, que eu já estou com uma pilha de nervos tão grande, que estou com vontade de dar com uma resma de papel A4 na cara da senhora da papelaria.

Lá porque não faço ideia do raio que é papel musgani, não faz de mim um monstro de três olhos e começo já por dizer que podem parar de olhar para mim com aquela cara de “espantalho de campo”, muito parecida, aliás, à cara que o Fernando Santos teve quando o Éder marcou o golo frente á França no Europeu.

Só para que conste, massa de modelar, também está na lista!

Tirando cotovelos, massa de letras e esparguete, não vi nada disso na mercearia e como tal, se querem fazer workshops de cozinha, que pelo menos peçam massas conhecidas.

Não contem comigo para ir para o Martim-Moniz, porque eu não sou fã de coisas exóticas, nem gosto de caril ou quaisquer outras dessas cenas estranhas.

Para mim, massa com atum está bom, por isso não me compliquem o sistema, sff.

E papel de crepe?

Nem na loja dos chineses sabem o que é…quanto mais eu!

Como todos bem sabemos, se existe malta que é perita em crepes são eles, até porque os comem duas vezes ao dia como entrada!

E como dizia a minha avó, se os chineses não sabem o que é, simplesmente é porque não existe.

Foi essa a regra que me ensinaram e para mim é sagrada.

 

Por outro lado, quando olhamos para os horários, a coisa é tão complexa para um miúdo que está no primeiro ano que só de pensar o que será daqui a três, altura em que estará no 4º ano, tenho logo arritmias aos saltos.

O rapaz tem uma carga horária idêntica a de um adulto e os horários são repartidos entre AEC´s sem fim e horário escolar normal.

Ele vai passar mais tempo na escola que eu no trabalho e isso é já bastante preocupante, porque se o psiquiatra para mim já é um peso no orçamento, não quero pensar na potencial hipótese de ter essas contas a...dobrar!

Já o estou a imaginar deitado no sofá, a dizer…

- Drº não aguento a pressão da professora de expressão musical, que insiste que eu decore a letra do, “como o macaco gosta de banana” do José Cid.

 

E os hábitos também mudam de forma profunda!

Antigamente chegava a casa e puxava-me para ver o Cartoon Network e agora puxa-me para a secretária e obriga-me a contar até cem e a subtrair números naturais, vezes sem fim.

Já não bastava as contas que tenho que fazer durante o dia só para chegar à escola para o ir buscar a horas, como agora tenho que resolver problemas de um “passo envolvendo situações de retirar, comparar ou completar”.

Por falar em retirar, foi retirada a Playsation porque o “menino tem que fazer os trabalhos e dormir cedo” e eu também estou proibido de jogar GTA IV, porque me dizem que vou muito excitado para a cama.

 

E a comer?

Valha-me Deus!

Desde que foi para escola dos “crescidos” estou em querer que lhe deve ter crescido o estômago, pois come como o mundo fosse acabar amanhã.

- Ele gasta muita energia, coitadinho!!! – diz a mãe

Ao que eu respondo…

- Ele gasta é tudo! – Qualquer dia, tenho que ir hipotecar um rim só para pagar as contas do supermercado!

 

Ninguém me tinha dito que isto era assim.

Qual o formulário para o voltar a meter no infantário?

Abraços e Beijinhos

 

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16
Set16

Regresso de férias - choque de gerações

No seguimento do artigo anterior sobre o trânsito em Setembro, venho hoje relatar-vos como é o primeiro dia pós-férias de duas senhoras de diferentes gerações.

 

Em primeiro lugar temos a D. Fátima da Contabilidade. É assim que é conhecida porque tirando as colegas mais próximas, poucos são os que sabem o seu apelido. Para a família e amigos mais chegados é a Fatinha, mas ali no serviço não dá azo a grandes confianças e gosta de ser tratada com respeito.

A D. Fátima da Contabilidade, conta já com 56 primaveras, mas aparenta não ter mais de 50. É aquilo que em linguagem cientifica se chama de "uma cota enchuta". Preocupa-se com a sua imagem e utiliza diariamente vários produtos de beleza da Avon e Oriflame que compra Foto do maridotambém para ajudar uma sobrinha que é revendedora e está em inicio de vida. "Tenho que ajudar a cachopa, coitada. Vejam bem, uma miúda de 16 anos tão certinha e à sexta vez que passou numa rua da Damaia veio de lá grávida de um Senegalês", diz ela enquanto mostra o catálogo às amigas. quarteira - netos - marido de sunga

Religiosa cumpridora do seu serviço, que elabora há mais de 30 anos, a D. Fátima espera pela hora de almoço para reunir as colegas da secção em torno da sua secretária e então começar a contar como foi o seu período de férias.

O destino já ninguém pergunta porque todas sabem que aquela semana é sempre passada num Aparthotel em Quarteira que uma vez aceitou num timesharing quando fez uma excursão à Galiza que tinha visto num papel na caixa do correio (nesse ano trouxe ainda duas almofadas e uma panela de pressão. Tudo excelentes compras, segundo ela).

Depois de relatar ao pormenor todas as refeições que fez no "Excelente buffet, que lá havia", é altura de colocar a pen no computador

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e começar a mostrar as cerca de 1348 fotos que tirou nessa semana e que ainda não teve tempo de seleccionar as melhores. Passadas 2h, chega ao fim aquela maratona fotográfica já com duas colegas a ressonar e outra a babar-se para a mesa. Só a D. Celeste mantém os olhos abertos porque tem cataratas e estava a fazer um esforço enorme para ver alguma foto focada. De todo aquele álbum, 594 estavam tremidas, umas porque "os catraios não param quietos" (netos) e as outras porque "o Alberto é muito nervoso e quer é tirar tudo à pressa" (marido), 317 foram os netos que tiraram e ou aparece só o chão ou há malta que só se vê da testa para cima, 213 "são de uns gatinhos bebés que encontrei lá junto a um contentor e 186 "são do buffet, para vocês verem a qualidade daquilo este ano" e 36 são da praia de Quarteira. Lá pelo meio uma foto do Sr. Alberto na praia e uma da D. Fátima na cama com ar maroto.

 

 Por outro lado, temos a Xana (Alexandra) dos Recursos Humanos. A Xana tem 31 anos e é solteira. Depois de duas semanas "enfiada numa aldeia perdida na Beira Alta", onde foi com os pais, visitar os avó, vê chegada a hora de ir uma semana com as amigas para Albufeira "porque trabalho e tenho direito a gastar o meu dinheiro, mesmo vivendo em casa dos meus pais e não dando nem 1€ para ajuda nas despesas".

Selfie salsicha

 Quando a Xana regressa de férias, não tem necessidade de contar aos colegas para onde foi nem o que fez ou comeu, porque tirando um ou dois camones que comeu mas não conseguiu fotografar por estar demasiado bêbada, tudo o resto foi sendo colocado quase em tempo real, no instagram, facebook e snapchat.

Umbigo selfie

Todos os dias houve, aquilo a que chamo de selfie das salsichas (foto como a imagem ao lado, sendo que as pernas parecem saídas de uma lata Isidoro). Assim como de todas as caipirinhas gin's e mojitos que enfiou no bucho, de todo o guarda-roupa que utilizado naquela semana e de todos os sunset party's, rooftops e white night party's a que foi na companhia das amigas. Para além do local, todas as fotos tinham as hashtags #amigasforever #buedalindas #girlspower

Escaldão da Xana #gatinhasassanhadas #beberatécair #quemcomemaiscamones

Porque há alguns que ainda não a seguem ou são seus amigos nas redes sociais, a Xana passa o primeiro dia pós-férias junto à máquina do café para que todos possam perceber que ela esteve de férias e que passou a maior parte do tempo ao sol, através do escaldão que traz nas costas, da pele da cara a cair e com umas olheiras de quem pouco dormiu, mesmo tendo passado muito tempo na cama.

 

Por mais opostas que estas duas histórias pareçam ser, elas têm muito em comum.

E há algo que também acontece com a muitos de nós, que é a necessidade de se regressar ao trabalho para descansar das férias.

 

#sejamfelizes

NaboTigas

 

13
Set16

Louco nas Filas!

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Chegados a setembro, talvez o mês mais depressivo do ano com a população a voltar às cidades depois das férias, eis que parece oportuno, falar de sujeitos que viajam aparentemente “felizes” nas conhecidas filas de trânsito.

Ontem de manhã e após bastante tempo sem as ver, voltei a apanhar vários km´s de filas de trânsito e olhando com especial carinho, pude constatar novamente que existe um outro maravilhoso mundo novo.

E eu como cusco (leia-se observador), hoje vou falar desses mesmos sujeitos e os seus hábitos mais recônditos, mais secretos e de certa maneira em alguns casos... mais imundos!

 

Começo pela viatura “zombie”, aquele carro em que vai geralmente um individuo sozinho, que parece saído da famosa série, Walking Dead.

Este individuo é do tipo de quem lavou a cara pela última vez, ainda farmácia se escrevia com Ph.

Geralmente costuma ir morto ao volante, com olheiras penetrantes de quem esteve toda a noite à procura de ver duas cabeças de vento com uma pilinha e uma vagina, a tentar fazer sexo “bardajão” no Secret Story.

Apesar de não ser um condutor reativo, é um saudosista que só ouve a Nostalgia e ainda acredita que os GNR fazem letras com algum sentido.

 

Temos também o “mão na buzina”, aquele individuo que apita sempre, havendo ou não havendo semáforo.

Já em pequenino foi-lhe diagnosticado um problema de personalidade latente que apanhou na escola, pois sempre que lhe davam um pontapé no rabo, fazia “Piiiiiiii”.

É um aficionado em buzinas e é administrador dos “Cornetas”, um grupo de Facebook do qual se orgulha de pertencer e liderar.

De modo geral é uma pessoa tão ansiosa, que quando vai ao psiquiatra ao invés de bater na porta no consultório apita duas vezes e grita... “Anda lá com isso seu carxxxx!”

 

Já na secção das makes, temos várias mulheres que dá gosto de ver.

É vê-las de baton em riste, de rímel, e de alisador de cabelo de 12 volts para ligar ao isqueiro!

Muitas delas entram no carro como “Zés” e saem à porta do trabalho como Natachas!

A IC19 e o túnel do Grilo são assim a nova a Expo-Cosmética em versão móvel.

 

E já repararam naquela malta que vai levar os netos à escola, e pensa que a faixa da esquerda é um andarilho?

Já?

São aquele tipo de pessoas que tiram o Datsun da garagem ao sábado e na segunda-feira não sabem onde está a garagem, quanto mais o carro, mas que ainda assim acreditam que são os novos Fitipaldi do eixo norte-sul.

Refilam muito e usam os braços para fazer “pisca-pisca” e estão sempre a dizer, que no meu tempo é que se conduzia e que agora os carros têm tantas mariquices que são feitos mas é para meninas.

De um modo geral, conseguem medir a tensão arterial enquanto entram na radial de Benfica, mas geralmente chegam já hipertensos a Monsanto!

 

Também não há dia que não passe por mim um outro grupo de condutores a que  chamo, os “Corsa Swing 1.0 Tunados”.

A 40 km/hora, fazem mais ruido que uma betoneira a fazer cimento e geralmente têm um tubo de escape maior que a mais alta chaminé da Cimpor, só que deitam mais fumo!

Lá dentro vai um tipo com uma camisa de alças e um boné para cabeçudos a ouvir musica com uma batida tão profunda, que o instituto de geofísica já considera a Amadora como o provável epicentro de vários abalos que ocorrem por dia em Lisboa.

Estes são aquele tipo de pessoas, que acham que o Júlio Verne é uma marca de tubo de escape de alto rendimento e que os seios gigantes da Palmela Anderson são assim desde a nascença.

 

Por último, temos aqueles cujo hobby é colarem macacos no nariz no tablier e mostrar com orgulho à namorada o que conseguem extrair das suas profundezas nasais.

Temos também aqueles que não tomaram o pequeno almoço e que decidem levar a coisa mais além e levam sempre no porta-luvas sal e pimenta qb, para que em plena João XXI consigam provar que é possível fazer dentro de um Punto, um Festival do Burrié!

 

Quem já os viu?

Queremos saber, estes e outros, por isso, comentem sff!

 

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09
Set16

Corrida - Tipos de praticantes

A febre da corrida que me apanhou há 4 anos, para além de me cansar muito, permitiu-me conhecer muitas pessoas novas e fazer grandes amizades.

Após um estudo exaustivo elaborado por mim em parceria com a UTIB (Universidade para a Terceira Idade do Burundi), permitiu-me concluir que toda esta gente que corre, por mais diferentes que possam parecer, sejam eles homens, mulheres, doutores, engenheiros, trolhas, polícias, políticos, ladrões (passe o pleonasmo) ou strippers, todos têm uma coisa em comum, é tudo gente doida.

A corrida cansa (muito), faz o pessoal transpirar e emanar odores piores que o 711 da Carris no Verão ao fim da tarde quando vem cheio de Paquistaneses das obras, e mesmo assim no final de uma corrida é ver a malta a abraçar-se como se o mundo fosse acabar amanhã. Chego mesmo a pensar que se houvesse um abraço coletivo, podia o mundo não acabar, mas de certeza que o buraco na camada de Ozono iria aumentar significativamente.

Dentro dessa loucura generalizada conseguimos dividir os tipos de corredores ou praticantes de corrida se assim preferirem (não chamo atletas, porque iria estar a ofender a malta que pratica atletismo), em várias categorias, que irei abordar de seguida.

Esta classificação baseia-se nas suas motivações, experiência, hábitos de treino, hábitos alimentares, preferências sexuais, funcionalidade intestinal e todas as outras coisas que me apetecer e lembrar.

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O Veterano: Já corre há mais de 70 anos. Muito fácil de identificar na zona de partida, pelo intenso cheiro a bálsamo e pomada tigre, pela tshirt de alças da Meia Maratona a Coina de 1968, pelo relógio Casio e por utilizar constantemente frases como "No meu tempo é que se corria a sério." e "Quando comecei ainda o Lopes e o Mamede andavam de fraldas". Utiliza sempre a mesma marca e modelo de calçado e com o encerramento do mercado na Praça de Espanha, só consegue arranjar numa loja de desporto no CCB (Centro Comercial da Buraca).

 

O Novato: Está no lado oposto do Veterano. Começou a correr o mês passado e já está a pensar em inscrever-se na sua primeira maratona. Extremamente motivado por ver que após 3 treinos a sua evolução tem sido fantástica. O novato na primeira semana vai ao El Corte Ingles e equipa-se da cabeça aos pés com o que for mais caro, mesmo tratando-se de material inútil ou não adequado para ele. Em 90% dos casos passado duas semanas coloca tudo no OLX porque já lhe passou a febre e a nova moda são os saltos de costas para um campo de silvas ou o lançamento de anões chineses para o rio com balanço desde o Martim Moniz e isso requer outro tipo de equipamento. Um dos fatores do novato deixar a corrida é também o treinar sem método (em termos técnicos o “correr à bruta”), o que leva ao rápido aparecimento de lesões.

 

O Liberta-stress: Encontrou na corrida a sua via de escape para aliviar o stress que o trabalho e o seu ambiente familiar lhe causam. Todas as desculpas são boas para ir correr e libertar-se da ansiedade e preocupações, por isso, costuma estar a seguir 3 planos de treino em simultâneo para a mesma prova. O que leva a que ande sempre fisicamente exausto e os resultados depois não sejam os melhores devido ao excesso de treino, mas por outro lado, ninguém o pode acusar de ser stressado, porque anda sempre tão cansado que qualquer movimento pareça ser feito com muita calma e ponderação.

 

O Sensível: Totalmente concentrado enquanto corre, está atento a todos os sinais e reações do seu organismo. O sensível percebe que um pelo encravado está para nascer, muito antes de ele começar a encaracolar na camada subcutânea da pele. A cada passada que dá todo o seu corpo tem de estar em perfeita harmonia e equilíbrio, como se tivesse acabado de ingerir 3 litros de Pleno Tisanas e um sixpack de Danone Activia.

Raramente de lesiona, porque como conhece perfeitamente o seu corpo, ao mínimo sinal de alerta, interrompe a corrida. Como a maioria dos corredores tem esse sinal de alerta assim que inicia o treino, o Sensível, raramente corre, muito porque todos sabemos que a corrida não dá saúde a ninguém.

 

O Obsessivo: Este é o indivíduo que pode até nunca ter corrido, mas sabe tudo sobre corrida. “Ah e tal o Prof. José Hermano Saraiva também não esteve em Aljubarrota, mas sabia pormenores da Padeira melhor que ninguém.” E perante estes válidos argumentos temos que nos calar e respeitar.

O Obsessivo é assinante de todas as revistas de running nacionais e internacionais, segue 34 blogs, consulta fóruns e até consulta a Maya e o Professor Karamba, para verem nas cartas, nos búzios e na obervação das fezes dos chiuauas se a prova que vai fazer é a mais adequada para si. Chegou a ter um personal trainner com 20 anos de experiência em atletismo profissional, mas segundo palavras suas “Era bom moço. Sabia muito de prática, mas nas coisas teóricas eu dava-lhe um bailinho.”

 

O Super-gadget: Amante da tecnologia, adquire todo o tipo de gadgets que são lançados no mercado. Corre sempre com 2 relógios em simultâneo para comparar se as medições são diferentes e é impensável terminar um treino ou prova e passado 3 minutos, o exercício ainda não estar publicado em 8 sites diferentes, assim como a partilha no facebook, instagram, twitter, snapchat e tinder.

Conhece todas as aplicações de corrida, fitness, aeróbica, ginástica rítmica e levantamento de garrafão que são lançadas na Play Store e na Apple Store.
O seu lema em relação aos treinos e às corridas é "Se não está no Strava, é porque não existiu!"

 

O Saudável: A cada 3 passos controla as pulsações e os sinais vitais. Descarrega tudo o que é aplicações para registar a tensão arterial, peso, diabetes, ácido úrico e até urina (deitando 3 gotas para o ecran do smartphone). Quando vai correr pensa cuidadosamente no que vai comer antes, durante e após a corrida, pesando todos os alimentos para não falhar no número de calorias ingeridas. Outra das preocupações é a hidratação, a recuperação de eletrólitos e quais os melhores suplementos para desportistas e similares. Só come carnes brancas, por isso, terá de arranjar um(a) companheiro(a) albino(a).

 

O fashion-victim: Muitos dos corredores vão treinar com os primeiros calções e tshirt que encontram desde que esteja lavado, mas este corredor não. Ele não sai à rua de qualquer maneira. O calção tem de condizer com a tshirt, com as meias, as sapatilhas e o boné e tudo da última coleção acaba de sair no mercado.
O fashion-victim segue tudo o que são as últimas modas, seja em acessórios, como também em meias de compressão, manguitos, roupa interior, cremes depilatórios, aftershave e vernizes. Em questões de preferência de cores, prefere coisas fluorescentes e vistosas de forma a não passar despercebido no meio dos atletas do pelotão..

 

O turista: Aliado à sua paixão pela corrida, está a paixão por viajar. Os destinos de férias são sempre pensados nas provas que ambiciona fazer e mesmo quando as tem de passar em Fornos de Algodres por não ter possibilidade de ir para o estrangeiro, participa no MIFA (Meeting Internacional de Fornos de Algodres) que consiste em 3 provas (15km ao pé coxinho com uma caneca de cerveja na cabeça, 5kms estafetas em carrinho-de-mão e 12km de cócoras em torno da igreja). Procura todas as desculpas para ir correr o mais longe possivel da sua área de residência e tenta sempre que possível incluir a família nesses eventos.

 

O que corre por puro prazer: Este tipo de corredor não tem muito para contar. Basta ter "à mão" uma tshirt, uns calções e o calçado apropriado e aí vai ele lançando-se por esse asfalto fora ou por um qualquer trilho que lhe apareça pela frente, apenas procurando receber as sensações de liberdade e prazer que a corrida lhe proporciona, sem ligar a ritmos, distâncias ou velocidades e participa em provas, não pela componente da competição mas pelos momentos de convívio aí vividos.

 

O competitivo: Ao contrário do anterior, este tipo quando corre sozinho, corre sempre com o sol de frente, para que a própria sombra fique atás dele. É o tipo que parte sempre na primeira linha em todas as provas e arranca num sprint doido, para que ninguém o ultrapasse nos primeiros 5 metros. Devido a esse esforço, ao fim de 1km começa a caminhar e simula uma lesão para justificar o seu fracasso.

Inscreve-se em todas as provas que há, mesmo que haja duas ou três em simultâneo e vai de uma para a outra só para receber a medalha e os panfletos que entregam no final para que possa planear a sua agenda desportiva nos próximos tempos.

O fairplay é também uma palavra que não entra no dicionário do Competitivo, fazendo de tudo que esteja ao seu alcance para subir uns lugares na classificaçãoDesde subir passeios, meter-se às cavalitas de corredores mais rápidos, tudo serve. Houve uma prova em que vi até um destes individuos a fazer uma rasteira, a 100m da meta, a um velhote de 93 anos na UMA (Ultra Maratona de Andarilhos).

 

Tu que corres, já correste ou pensas um dia vir a correr (não conta aqueles sprints para o autocarro nem quando vaga uma bóia na piscina de ondas do Aquashow), diz-nos se te identificas com algum destes tipos ou se és uma mistura de vários.

#sejamfelizes

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06
Set16

Agosto casamenteiro!

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Agosto é por natureza um mês dedicado às festarolas da aldeia, a carros “xunados” e claro, aos casamentos.

Eu sou viciado em casamentos porque sou uma pessoa muito sensível e às vezes chego a chorar mais que a noiva, em especial no momento do sim, aquela fração maravilhosa de tempo acompanhada pelo toque sublime de violinos em som de fundo.

Mas o que realmente interessa aqui, é o que se passa entre a abertura do baile e o momento em que o padrinho vomita das entranhas profundas, o bacalhau com broa e a vitela com molho de maçã lá mais para o fim da noite.

 

Estão prontos?

Vamos lá então fazer um “fast-forward” desde o fim da hora do jantar até ao fim da festa!

 

Pelas 22:00, abre-se o baile com o apita o comboio e lá vai tudo fazer um grande frete a seguir a noiva que por agora ainda é a maquinista do grupo.

As velhas desdentadas, saltam das cadeiras como loucas e “atracam-se” ao primeiro que lhe aparece à frente e arfam de tal maneira, que o bypass coronário começa logo a apitar com falta de bateria.

Entretanto, “abre-se” o bar e tudo o que é malta bêbada corre como loucos para iniciar o processo de destilação.

O importante é “imborcar” o mais rápido possível para ficar alucinado rapidamente, não vá acabar o mundo, entretanto.

Pelas 00:00 é a hora de abrir o famoso bolo dos noivos.

Vem agora aquela parte em que elas já passaram do modo do sapato de bico com 50 cm de alto para a sandália a mostrar o belo do joanete, enquanto eles passam do modo de sofrimento da gravata, para o modo “maravilhoso mundo da selva”, com as camisas abertas até ao terceiro botão a mostrar a bela penugem peitoral ao estilo pavão africano.

Chega então a altura em que a maioria dos noivos optou por desviar o orçamento das chamuças para comprar fogo de artificio, daquele que parece vindo de um torno mecânico de uma fábrica de metalúrgica, mas que faz as delicias dos únicos chatos dos casamentos... os fotógrafos.

Na frente das luzes, estão os noivos alinhados simetricamente com o bolo, uma faca gigante e uma garrafa de espumante da Anadia prontos para um dos grandes momentos da noite.

Enquanto dão de comer um ao outro pela última vez no resto das suas vidas, a mãe da noiva volta a chorar como uma Madalena arrependida, só de imaginar que dentro de poucas horas, o pai da noiva que está bêbado que nem um "cacho", vai ele também com jeito, tentar partir o bolo.

Festa é Festa e neste dia tudo é permitido!

À 01:00h é altura do lançamento do ramo da Noiva.

Nesse momento, sobem à frente da festa tudo o que é desespero com duas pernas, de um modo geral do sexo feminino.

Minhas senhoras e meus senhores, temos aqui tática bem estudada, já para não dizer combinada previamente com a noiva!

Posicionadas tecnicamente ao redor da noiva, lá no fundo todas querem apanhar o ramo, mas tendem a disfarçar esse sentimento com uma certa dose de indiferença.

No momento exato em que a noiva lança de costas o ramo, se fizermos uma pequena repetição em movimento lento, repararmos que existem mulheres que são autênticos “Ruis” Patrícios e que se atiram sem medo ao Santo Graal, o arranjo floral.

A suposta felizarda agarra-se à noiva de felicidade, enquanto o namorado se agarra ao barman a chorar de tão grande que é o desespero.

Pelas 01:30h volta a “comezana” com a abertura do tradicional buffet de frios.

Neste momento, o salão de festas é a nova Beirute.

O ambiente é de guerra por onde se luta sem medos por 100g de camarão, por um naco de leitão, queijos e presuntos, em ambiente de pura hostilidade humana.

Vale de tudo...quem conseguir meter mais comida dentro de um pires e chegar à mesa e sentar-se em primeiro, é o rei da festa e o master do buffet.

Desaparece tudo num ápice e fica a imagem da desolação total, muito parecida a uma cidade em escombros, depois de um bombardeamento com Napalm.

Pelas 01:45h é o começo do fim da festa e nessa altura já anda tudo em modo “Vira do Minho”.

A pista de dança já parece ter buracos, pois uma grande maioria já dança aos tombos, ao estilo dos cabeçudos do carnaval de Torres Vedras.

O padrinho e o pai da noiva, já vomitaram duas vezes, em homenagem ao tempo dos copos e da caça noturna em bares manhosos, enquanto outra pequena minoria por impulso começa a falar fluentemente o outro conhecido dialeto dos bêbados... o Norueguês de Cinfães!

É uma tal cacofonia na pista de dança, que só para pedir lume é preciso tirar um mestrado em linguagem gestual.

O dj já não sabe o que fazer para espantar a malta dali para fora, e então vai buscar tudo o que é musica má.

Não interessa, e em rigor da verdade, já ninguém está mesmo a ouvir nada!

Às 02:30h, os geriátricos já vão a caminho da cama, enquanto os resistentes dançam como loucos ao som dos ABBA.

O melhor amigo do padrinho deixa de ser o noivo e passa a ser o homem do bar e começam a arranjar-se os “caldinhos” entre a malta que está solteira e não só.

 

- Onde está a Joana? – pergunta a noiva

- Está com o teu irmão no teu carro a ver estrelas! – grita o namorado da Joana

 

Subitamente o noivo, acha que está no liceu e pede ao dj para “meter” Rage Against the Machine!

O Armagedon chega então à pista de dança e a coisa descontrola-se de tal maneira que só se vêm pernas e braços pelo ar.

A noiva grita...”Moche!!!” e o dj a temer pela vida, acaba logo ali a festa ao som das quatro estações de Vivaldi.

Pelas 04:00h, meia-dúzia andam à procura do carro no estacionamento e outra meia dúzia anda à procura da Joana e do irmão da noiva, que por engano acabaram no casamento ao lado e fizeram amigos com um casal que são adeptos entusiastas do swing.

E assim em grande alvoroço acaba a grande festarola.

Felizmente que ao outro dia, ninguém se lembra de nada.

Se virem a Joana, entrem em contacto.

O namorado anda apoquentado!

Abraços

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02
Set16

O domingo da festa

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 Agosto é mês de férias e um dos destinos obrigatórios é a ida à "terra" para as festas da aldeia.

Na “nossa” aldeia, a festa vai de sexta a segunda, mas hoje vou falar apenas do domingo, que é o dia dedicado à parte religiosa.

 

8:30h – Chegada da Banda Filarmónica, toque de Alvorada e desfile pelas ruas da aldeia.

A banda filarmónica contratada de um ano para o outro e que é a mesma pelo menos há 15 anos, percorre a aldeia tocando a alvorada, para anunciar que daí a três horas irá começar a missa. À frente vem o Mordomo deste ano e atrás os velhos que acordam às 5h e já não conseguem dormir e aqueles que aquela hora de iam deitar mas que sendo assim já não vale a pena, porque a festa continua e não se pode perder nada. Até chegar à capela, a banda para em cerca de 8 ou 9 “lojas” (local situado na parte de baixo das casas onde antigamente guardavam o gado e onde hoje servem de arrecadação ou adega), e em todas elas, todos os elementos da banda, tenham eles 12 ou 120 anos, provam a jeropiga (quase sempre boa) e o vinho caseiro (que o proprietário diz ser melhor ainda que o do ano passado, mas que para a maioria continua a não prestar para nada). Por volta das 10:30h, terminam o percurso de cerca de 600m e conseguem chegar ao largo da Capela.

 

11h – Missa Solene

Assim que soam as 11 badaladas no altifalante situado na torre da capela, começa a missa ao ar livre. Toda a aldeia está presente. Temos elas com o seu melhor traje e os pés a “guinchar” por terem de caber no sapato bicudo e de salto bem alto e fino e que parece ser 2 números abaixo do ideal. Eles também vão bem arranjados. Muitos nem foram à cama e passaram só por casa para trocar de roupa e colocar os óculos de sol para não se notar as olheiras, os sapatos e o hálito denunciam que muita cerveja escorreu pela goela, e fora dela, abaixo. Os putos também vão vestidos a preceito, mas ao fim de 5 minutos já estão todos desarranjados e as mangas da camisa servem para limpar o ranho como é normal e só as mães se zangam com isso.

Apenas metade dos músicos da banda é necessário para acompanhar a missa, por isso os elementos mais novos são dispensados e aproveitam, ou para namorar uns com os outros ou para fumar um cigarro às escondidas nas traseiras da capela.

Terminada a missa, dá-se início à procissão. Atrás do padre e da banda, seguem quatro andores, cada um carregado por 4 pessoas que se oferecem ou que são convidadas para tal. Dois andores conseguem permanecer equilibrados ao longo de todo o percurso, mas há sempre dois em que isso não acontece. Um é o que é composto apenas por senhoras, porque para além da diferença de estaturas, temos a que leva saltos altos no início da procissão, mas que a meio tem que se descalçar porque nem N. Senhora a ajuda a suportar as dores nos joanetes. O outro vai desequilibrado de principio ao fim porque este ano, o “coxo” insistiu que tinha que carregar o andor porque num dia de bebedeira fez uma promessa à Santa.

 

12h – Leilão de fogaças

Terminada a procissão, dá-se lugar ao leilão de fogaças (tabuleiros que algumas pessoas levam com bens alimentares para ser leiloado e onde o valor desse leilão reverte para a “Santa”).

Aqui temos dois tipos de participantes. Aqueles que tradicionalmente vão sempre e que fazem deste momento como se de um ato cívico se tratasse na ajuda à sua povoação e o “emigrante”.

O emigrante foi obrigado a emigrar por não conseguir cá um emprego em condições. Continua sem ter um trabalho em condições, mas recebe em francos e isso chega para que consiga vir à "terra" num Audi ou BMW onde cola o autocolante da F.P.F - Federação Portuguesa de Futebol, pensando ser o símbolo das quinas da nossa bandeira, mas esquecem-se de retirar o autocolante da rent-a-car. Os filhos não sabem falar português e por isso não conseguem brincar com as outras crianças, nem comunicar com os avós, que morrem de saudades por os ver apenas uma vez por ano. O “emigrante” é também fácil de identificar por pagar qualquer coisa sempre com uma nota de 50€. Seja um café ou uma cerveja.

 

17h – Concerto da Banda Filarmónica

Por volta das 17h, sem grande história para contar, é altura do concerto da banda filarmónica no largo da aldeia. O reportório é o mesmo dos anos anteriores. Os putos vão para o rio, os adultos aproveitam para dormir um pouco para curar a ressaca porque sabem que se aproxima mais uma noite de copos e folia e na assistência apenas restam os velhos que devido à idade e à falta de memória, vibram como se estivessem a assistir aquilo pela primeira vez, e os que se lembram são os que já não conseguem mover-se sem a ajuda de terceiros, porque se pudessem fugiam dali também.

 

18:30h – Despedida da Banda com saudação aos novos Mordomos.

Às 18:30h a banda vai a casa do Mordomo, seguida pela malta mais rija, ou seja, pelos que ainda se aguentam de pé, comer e beber (o que ainda resta) e segue até casa do Mordomo do próximo ano para o saudar e comer e beber.

Dali segue tudo para casa do Ti João (nome fictício), cuja casa é na entrada da aldeia, onde vão, imaginem, comer e beber e despedir-se da banda.

Com a banda de abalada, este ritual de domingo não pode encerrar sem o lançamento de foguetes por parte do Ti João, contrariando todas as indicações de bombeiros e proteção civil, porque “isso é tudo uma cambada de maricas, e tradição é tradição e enquanto eu for vivo, é para manter”. Nesta fase há os putos que choram, um ou dois cães que desata a fugir e que só regressa na manhã seguinte e o “Manel Maluco” que se atira para debaixo da Ford Transit, aos gritos, porque veio traumatizado do Ultramar e pensa que ainda lá está.

 

Assim termina o “Domingo da festa”, com a certeza que para o ano tudo será igual, e é tão bom que assim seja.

#sejamfelizes

 

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31
Ago16

"HOMOS SERIUS"

É com especial tristeza que acho que o Homem de hoje é essencialmente um individuo triste e na maior parte das vezes angustiado consigo e com o que o rodeia.

Olho para as pessoas e nesse instante, mesmo que por vezes até esteja a sorrir para mim, noto uma tristeza tão profunda que acaba por deitar abaixo aquele sorriso disfarçado pelo seu próprio vazio.

Quando tento fazer uma piada com alguém, em especial as pessoas que conheço mal, não é a primeira nem será a última vez que o outro me trespassa com um olhar de quem vai carregar a arma para me fuzilar.

Costumo ter o grande antídoto para quando isto me acontece e digo logo... “epá...estou a brincar contigo!”.

Na realidade estou mesmo a brincar, com o intuito de provocar uma reação simples na pessoa, mas também não deixa de ser verdade que a grande maioria as vezes nem reage, porque simplesmente nem sequer me ouviu. (o que às vezes me dá um certo  jeito, porque eu tenho dias que me estico!)

As pessoas andam a dormir ou a caçar bonecos virtuais, porque não aguentam estar com elas próprias de tão aborrecido que suponho que deva ser.

Tenho um amigo, que leva a vida tão a sério que da última vez que se riu, foi no dia que soube que tinha sido despedido, por excesso de zelo.

- Oh Zé (nome fictício), você assusta os clientes com essa cara!

O “Zé”, trabalhava num balcão de atendimento ao público num serviço técnico de uma conhecida empresa de telecomunicações e ao que parece os clientes falavam com ele e ele não tirava aquele ar sério, de quem e a qualquer momento estava prestes a fazer o arremesso do telemóvel ao lóbulo frontal da pessoa.

Este meu amigo mudou de vida e hoje trabalha numa funerária e acreditem que é um tipo que mudou a sua vida!

Ao que parece este meu amigo encontrou a alegria de viver num local, onde eu e muitos não seriam capazes de entrar quanto mais sermos felizes.

Apenas por curiosidade, a sua mulher, diz que o nunca viu tão feliz!

Tive um professor que costumava dizer, que as pessoas deviam ser obrigadas a passar pelo menos 20 minutos por mês sentadas num banco de um cemitério, só a observar!

Dizia ele que isso as faria acordar para a vida.

Na altura não percebi, hoje percebo.

E isto tudo para quê?

Para dizer que, não levem isto tão a sério, que brinquem com a vida e que se divirtam.

Isto passa rápido!"

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26
Ago16

Bem vindos

Bem vindos

Sejam bem vindos ao nosso blog. Este primeiro post serve apenas para nos apresentarmos.

Olá, eu sou o Malaquias e sou tudo aquilo que tu mais querias, mas todos me tratam por Tiago, até mesmo os meus pais. E o apelido é Rodrigues.

 

Desafiado pelo meu amigo Bruno Dias, resolvemos criar este blog em parceria, para falarmos de coisas, cenas, tudo o resto e algo mais. O blog chama-se "2 nabos na púcara", em alusão à frase "tirar nabos da púcara", por sermos dois grandes nabos (termo em calão, e não a raiz de uma planta brassicácea). A ideia original era "dois nabos saídos da púcara" mas ficava muito extenso e os mais atrevidos podiam confundir púcara com armário, por isso convém esclarecer a origem do nome.

 

Não sei muito bem o que virá daqui para a frente mas gostaria de ir tendo feedback da vossa parte, para saber se estão a gostar ou não, através de comentários, aqui ou na página do facebook. Podia ter dito que gostava de saber a vossa opinião, mas utilizei a palavra feedback porque uma vez num workshop a que assisti em Marvila, sobre o sexo tântrico numa colónia de formigas na Guatemala, disseram que era fixe e jovem dizer coisas em inglês. A expressão que eles utilizaram foi cool, mas como na altura, não sabia o que era, assim que cheguei a casa tomei banho só por causa das dúvidas.

 

Para post introdutório, acho que já chega porque não quero afugentar já os nossos 5 leitores. Vão passando por cá e se quiserem partilhem e façam like (palavra em inglês para dizer "gosto") com os vossos amigos ou com aqueles de quem não gostam.

 

Até breve e #sejamfelizes #istoéoutramodernicequeaprendiqueéescrevertudosemespaços #dizemquetambémécool #palavrasquecomeçamcomojogodogalo

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Nasci a 26 de Agosto de 1975, na bela localidade do Lindoso mas às três horas de vida emigrei para Lisboa em busca de uma oportunidade de vida, como encantador de elefantes.

Rapidamente percebi que em Lisboa não existem tais bichos e decidi enverdar no mundo da representação, tendo inclusive participado em duas peças do La Feria, uma como electricista e na outra como candeeiro de mesa de cabeceira, ainda hoje considerada a melhor representação de sempre na categoria de abajures com duas pernas.

Mais tarde, dediquei-me à escrita, sendo o autor de blogs reconhecidos, como “Calipos para Viúvas” e “Amar uma mulher de três seios” (ambos fechados por ordem judicial).

Recentemente, fui o criador do blog, “Trinta dias sem Carne”, blog esse, galardoado como o mais lido entre a população que se encontra em linha reta, entre Cinfães e Oliveira do Douro.

E como chegámos aqui?

Há quinze dias, estava eu e o Tiago, a beber uma cerveja no bar “O Torto”, quando em plena discussão sobre equações polinomiais de segundo grau, nos veio à ideia, de ter em conjunto um blog.

Rimos muito, mas ao fim de não sei quantas cervejas, lá apareceu o nome, em grande parte em homenagem a nós mesmos e por outra, a duas  primas nossas que gostam de beber vinho com uma palhinha.

- Bom, agora só precisamos de acabar a quarta-classe e aprender a escrever! – disse eu.

E ele, já meio parvo, concordou.

E agora?

Não sabemos, mas vamos falar de coisas.

Daquelas mesmo parvas e sem sentido.

Muito vem aí.

Até logo.

Bruno Dias

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